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quarta-feira, dezembro 01, 2004

A LIBÉLULA


Num lugar muito bonito, onde havia árvores, flores e um lindo lago, certo dia surgiu um casulo. Quando ele se rompeu, de dentro saiu voando uma libélula. Ao sair do casulo ela ficou tão encantada com o lugar, que voou por cada pedaço de tudo o que seus olhos conseguiam mirar. Brincou nas flores, nas árvores, no lago, nas nuvens. Aliás ela adorou brincar com as nuvens. Eram macias. Perdeu um longo tempo com elas. Quando já tinha conhecido tudo, no alto de uma montanha, avistou uma casa. A casa do homem. Ela havia de conhece-lo. Foi voando pra lá. Voou, que voou que voou... e posou na janela da cozinha. Nesse dia, uma grande festa era preparada para a filha do dono da casa. Um homem com um chapéu branco, grande, dava ordens para os empregados, mas a libélula não se preocupou com isso. Brincou entre os cristais, se viu na bandeja de prata, explorou cada pedacinho daquele novo mundo. Ao olhar para a mesa, avistou uma tigela cheia de nuvens. Não resistiu, mergulhou na tigela, pois, tinha adorado brincar nas nuvens. Mas quando ela mergulhou...ahhhhhhhh...aquilo não eram nuvens, eram claras de neve que o cozinheiro havia preparado para fazer o bolo. Foi ficando toda grudada, e quanto mais ela se mexia tentando escapar... mais ela afundava. A pobre libélula começou a rezar ao DEUS PROTETOR DOS INSETOS VOADORES, pedindo que se a libertasse, dedicaria o resto de seus dias na ajuda dos outros insetos voadores. Rezava e pedia mas parecia que era em vão, continuava a afundar. Dizia ela em voz de libélula apavorada: SENHOR DEUS, SE O SENHOR ME TIRAR DESSA ENRASCADA, PROMETO QUE DEDICAREI TODOS OS DIAS DE MINHA VIDA NA AJUDA DE OUTROS INSETOS VOADORES. A coitada já estava quase toda dentro da clara de neve quando o chefe da cozinha voltou cantando: LA LA LA LA LALALA LARÁ! Olhou para dentro da tigela e disse: OHHH! Um ponto preto na minha massa branca? OHHH! Pegou uma colher, enfiou na tigela, pegou a libélula e a atirou pela janela... Zuuummmm, e lá se foi a libélula janela afora, zuuummmm... pooofttt... caiu na grama. O sol estava quente e a massa começou a secar em seu corpo. Limpou, limpou, limpou, limpou (Ufa!!!) até que limpa (e cansada) se lembrou da promessa que havia feito ao DEUS PROTETOR DOS INSETOS VOADORES, e disse: Senhor Deus, bem sei que prometi (se conseguisse sair daquela enrascada), dedicar todos os dias de minha vida na ajuda dos outros insetos voadores. Maaasss (aahhhh!!!) agora estou um pouco cansaaaada. Façamos um trato, descanso um pouquinho e depois cumpro o prometido.
Dormiu. Mas o que ela não sabia, e talvez você não saiba, assim como eu não sabia, é que as libélulas vivem apenas um dia. Naquela tarde, com o sol a bater em seu corpo, num pedaço de grama macia, ela não voltou a acordar.Assim me contaram e assim contei pra vocês. E quem quiser que conte três.

(Recontada por James Silva – Tradição Oral)
Encontrei essa história por acaso em 1997. Passei a contá-la a partir daí inúmeras vezes. Já é bem diferente do que me contaram. Acontece sempre quando o contador – nesse processo bi-lateral (história-contador, contador-história) – começa a contar determinada(s) história(s), acabar colocando muito dele nela. Acaba reescrevendo a história muitas vezes. Absorvendo. Como uma pele. Uma mesma história não é a mesma, de contador para contador. Encontrei uma versão desse conto em um site certa vez. Para quem encontra-la verá que há diferenças significativas na narrativa. Essa é uma das magias de se contar histórias: cada um conta ao seu modo, do seu jeito, da sua forma e para quem quiser. Viva!

3 comentários:

Andréa Muroni disse...

Ah, lacrimejei.
Ando tão dodoizinha...
bjos

culturahiphopuberaba disse...

parabens muito linda a historia

Sueli Queiroz disse...

Linda! Parabéns e sucesso...